Bispos católicos defendem punição dos torturadores e abertura dos arquivos da ditadura
28/09/2008 por João Arnolfo
Os bispos católicos decidiram tomar posição quanto aos torturadores e seus comandantes durante a ditadura militar: a CNBB está a favor do perdão, como não poderia ser diferente entre cristãos, mas quer que seja punido quem praticou estes crimes contra a humanidade.
Foram e são covardes estes generais da ditadura, hoje na reserva, que continuam manchando a imagem do exército brasileiro por estarem impunes.
Enquanto não houver punição rigorosa, continuarão estigmatizadas as novas gerações de militares. O que é ruim para eles e péssimo para o país, cada dia mais precisando de forças armadas preparadas e bem remuneradas, para defender as fronteiras, as águas brasileiras e a nacionalidade.
Os bispos estão coerentes com as posições da igreja no Brasil durante a ditadura, quando - ao contrário da Argentina e do Chile, onde são bastante reacionários e até ajudaram os militares criminosos - ficaram via de regra contra a ditadura e nos deram apoio na luta contra os militares golpistas.
No Porão (ou Pelotão?) de Investigações Criminais (PIC), da 43a. Brigada de Infantaria Motorizada, em Brasília, lembro de padres que foram presos pela gang do general Antonio Bandeira e, por serem holandeses, acabaram expulsos do país, após serem torturados pelos comandados do capitão Madruga.
Nossa homenagem ao padre João, codinome usado por um holandês que servia em Brasilia, cuja lembrança ficou em nossa memória. Vários deles retornaram depois ao Centro-Oeste e Amazonia, onde se envolveram com questões sociais, ao lado da população oprimida.
Agora bispos querem também o óbvio, que o presidente Lula está nos devendo: abrir os arquivos da ditadura, em poder do Exército, basicamente. Antes de cair, Nelson Jobim bem que poderia prestar um serviço histórico mandando abrir estes arquivos…
E a CNBB, que tal recomendar a excomunhão dos atuais generais de pijama que se reuniram no Clube Militar do Rio em 7 de agosto deste ano para defender a impunidade?
São pobre diabos que Já vivem no inferno, mas seria um recado e tanto para seus familiares que hipocritamente apoiavam as torturas e depois iam à missa aos domingos nos anos 70.
Precisam excomungar tambem os novos ideólogos da extrema direita, para quem além de torturar deveriam ter matado todos nós, como disse o deputado Jair Bolsonaro, alimentado agora pela direitista União Democratica Ruralista (UDR) e seu diretor jurídico, o advogado Antonio Ribas.
Esse povinho anda alimentando, com suas declarações e o fato de continuarem impunes, a prática da tortura contra presos comuns, que continua impune nas delegacias de todo o país porque ainda não fizemos o que fizeram Chile e Argentina, que processam e colocam na cadeia os reponsáveis por torturas, assassinatos e desaparecimentos de presos politicos.
PS - Para quem quiser os detalhes, aí está a matéria da boa e velha Tribuna de Imprensa, onde o dinossauro Helio Fernandes tem se mantido coerente ao longo das décadas:
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) quer a abertura dos arquivos do regime militar e a punição dos torturadores que atuaram a serviço da ditadura. Foi o que defendeu ontem o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, com o alerta de que “perdão não é sinônimo de impunidade”, e a defesa da tese de que “a abertura dos arquivos poderá elucidar e trazer à lume uma página dolorosa da história”
Dom Geraldo recebeu ontem, na sede da Conferência em Brasília, a “caravana da anistia”. Por iniciativa da Comissão da Anistia do Ministério da Justiça, a CNBB sediou uma sessão especial de julgamento em que foram apreciados 13 requerimentos de anistia política com indenização a religiosos e militantes ligados à Igreja que sofreram perseguição e tortura durante o regime militar.
“Temos que perdoar, porque sem perdão não há reconciliação e sem reconciliação não há paz. Mas impunidade não!”, pregou Dom Geraldo. “É preciso que os culpados sejam conhecidos e punidos, dentro do possível, do que é justo e legal”, afirmou o bispo, na mesma linha do ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannucchi.
Vannucchi lembrou que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pedira às Forças Armadas o chamado “termo de destruição” dos documentos que os militares alegam ter queimado. Foi quando se queixou da “resposta cínica” dada à ministra, de que os termos teriam sido destruídos junto com os próprios arquivos.
“É da lógica dos criminosos queimar rastros e provas de seus crimes e houve muitos torturadores no aparelho de repressão que certamente procuraram queimar provas”, disse o ministro, para concluir que caberá ao Judiciário se manifestar sobre a Lei da Anistia. Ele entende que a Justiça terá de dizer se a lei anistiou torturadores ou se eles ainda terão de ser julgados e punidos.
Dom Geraldo fez questão de elogiar o trabalho da Comissão de Anistia, “que se empenha em restaurar a Justiça e coloca a memória da verdade diante das novas gerações”. Destacou que, naquele momento, os anistiados recebiam um “pedido de perdão” por parte do governo. Observou, no entanto, que o processo é longo, exige desdobramento e que o pedido de perdão “não significa que tenha encerrado o capítulo da tortura”.
“Para que haja perdão verdadeiro é preciso que fatos venham à tona”, pregou o presidente da CNBB, referindo-se aos “bastidores cruéis da tortura”. Ele entende que estes fatos têm de ser recordados “para que não se apaguem da memória, se percebam responsabilidades e se chegue a uma clareza maior, inclusive com relação aos que foram torturados, mortos e desapareceram.” Ao final, disse que é preciso “purificar” a memória histórica e que, para isto, “precisamos trazer à tona fatos que marcaram essa história”.
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