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Com 1,6 milhão de votos, Gabeira perde a prefeitura mas ganha força para virar o primeiro senador verde

26/10/2008 por João Arnolfo

A derrota de Fernando Gabeira por apenas uns 50 mil e poucos votos no Rio acaba sendo uma vitória, por vários motivos:
 
1) Gabeira se consolida como liderança nacional, com mais de um milhao e seiscentos mil votos, enquanto o PV nunca apareceu tanto e nunca foi tão levado a sério pela midia como nos ultimos dois meses;
2) Ele não corre o risco de se desgastar à frente de uma prefeitura da maior cidade-problema do país, deixando esta tarefa para os adversários;
3) Pela primeira vez o PV poderá ter um senador entre 2010 e 2018, com o cacife que ele acumulou, ou poderá vir a governar o Estado do Rio de Janeiro, com o inevitável desgaste que virá com governador e prefeito do mesmo lado, nestes próximos dois anos, quando certamente se agravarão os problemas da capital fluminense; 
4) Gabeira terá agora que enfrentar internamente a questão central do PV, que é afastar os dirigentes encastelados no poder há 8 anos e arejar o partido sem a pecha da corrupção interna - isto será bom para ele, para os verdes e para o país que precisará dos ambientalistas no poder com o agravamento da crise mundial e do aquecimento global.
 
A dúvida é se ele vai assumir isso ou continuará se deixando levar pela burocracia interna sem reagir.

Se tivesse reagido em maio, ajudando a derrubar a camarilha sub judice no TSE, provavelmente teria tido o apoio dos históricos no Rio e não teria carregado o efeito negativo de livros como o do José Louzeiro (Partido Verde, um clube de amigos).

Afinal, se o companheiro Andre do PV e os militantes da dissidência ética no Rio não tivessem trocado Gabeira pelo candidato do governador do PMDB (que decretou o feriadão pra classe média viajar neste domingo), talvez tivéssemos conseguido o 1 ponto percentual de votos que ficaram faltando….
 
Mas como diz o Noblat, Gabeira sempre ganha quando perde - achamos que ele foi vitorioso sim, pois chegou onde não se pensava que chegaria…
 
Agora, vamos ao que interessa - fazer a revolução interna para limpar o partido e abrir caminho para virarmos gente grande no quadro político brasileiro em 2009, quando teremos que ganhar o congresso de maio para abrir caminho aos verdes de verdade sairem candidatos em 2010.

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Gabeira trocou a guerrilha pelo pacifismo e não aproveitou a política para ficar rico

23/10/2008 por João Arnolfo

Convivendo com Fernando Gabeira diariamente na Câmara dos Deputados (e às vezes fora do Congresso), chamaram minha atenção as mudanças internas que ocorreram com o antigo companheiro da resistência armada contra a ditadura: ele não apenas conseguiu superar as velhas molduras fracassadas da ideologia que dividia o mundo cartesianamente entre o bem e o mal como, principalmente, tornou-se de fato um pacifista.

Não apenas nas palavras mas na forma de tratar as questões políticas e as relações pessoais e também no desapego por bens materiais.

Mesmo tendo passado por experiências semelhantes à dele no exilio, de convivio com o movimento pacifista da contracultura no primeiro mundo no início dos anos 70, sempre tive dificuldades em aceitar esta história de mudar por dentro para mudar o mundo externo.

Por isso chama minha atenção a capacidade que outros têm de evoluir, mudar, aceitar as diferenças e relacionar-se com o mundo de maneira, digamos, muito mais próxima de um Mahatma Gandhi do que do heróico Che Guevara que nos inspirou na juventude durante a militância na Vanguarda Armada Revolucionária (VAR) Palmares.

Agora, na campanha do Rio de Janeiro, vejo Gabeira exteriorizando esta evolução, ao unir gente tão diferente em torno de si como o economista Arminio Fraga, que conheci como jornalista de economia na época que assessorava Pedro Malan no Ministério da Fazenda, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, senadora do Partido dos Trabalhadores, educada na floresta por freiras católicas, que depois aderiu à religião evangélica com a mesma humildade, coerência e coragem que tinha quando jovem junto a Chico Mendes na defesa da Amazônia.

Assim como o companheiro verde, são pessoas honestas consigo e com a sociedade. Isto as une na campanha de Gabeira a gente tão diferente quanto Caetano Veloso e frei Leonardo Boff, dissidente dominicano que ficou famoso com a teologia da libertação e seus livros mas continua o mesmo frade pobre de sempre.

Quanto a Arminio, serviu ao país como presidente do Banco Central, voltou depois a ser o homem de negócios que ja era - mas não me lembro de ver seu nome envolvido em nenhuma dessas falcatruas bilionárias que mancham a biografia de um ou outro ex-companheiro de esquerda.

Sempre que alguém vem questionar se Gabeira está apenas fazendo pose ou se é mesmo como ele se apresenta, lembro um detalhe: com tantos anos de mandato federal, ele nunca se aproveitou da política para ficar rico, acumular bens. Coerente, manteve-se uma pessoa desapegada de propriedades materiais, ao ponto de morar de aluguel e não ter casa própria, até onde sabia durante os anos que ajudei a liderança do Partido Verde na Câmara. 

Já vi ele doando somas elevadas de dinheiro ganho com salário de deputado a associação de moradores em torno de um parque nacional, em Minas, sem contar a ninguem, assim como até recentemente tinha informação de que seus bens mais caros eram a moto, uma camionete, bicicletas e estas pequenas maravilhas eletrônicas como notebook e câmeras digitais. O resto do que ganha como deputado deve ter gasto com a educação das duas filhas e com sua militância verde.

Quem mais faz isso hoje em dia?

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Aperta o cerco contra torturadores da época da ditadura: OAB entra com ação no Supremo

23/10/2008 por João Arnolfo

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, ajuizou dia 21/10 no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF n° 153) visando a punição de quem torturou e matou durante o regime militar. É uma ação que a OAB impetra com o propósito de que a história deste país seja escrita de forma transparente”, afirmou Britto ao protocolar a ação no Supremo, acompanhado do jurista Fábio Konder Comparato, presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB e um dos autores da ADPF. Para Britto, “o Supremo agora terá oportunidade única de fazer com que a história brasileira seja contada e contada de forma não envergonhada, que é a punição dos torturadores”.
A seguir, a íntegra da declaração do presidente nacional da OAB, Cezar Britto, ao deixar o Protocolo do STF:
“A Lei de Anistia (6.683/79) anistiou os crimes políticos e conexos. A tortura não é crime político em lugar nenhum do mundo, não o é também na legislação brasileira nem tnos tratados internacionais que o Brasil tem subscrito. Então, não há dúvida de que a Lei de Anistia cumpriu seu papel e nós devemos cumprir o nsso: punir quem matou e torturou. Desta forma; punir quem cometeu crime contra a humanidade, que é fazer com que  pessoas que estavam à mercê do Estado, fossem vítimas de lesões graves, lesões físicas e psicológicas, quando o Estado estava ali para lhes proteger. Portanto, a ação que a OAB impetra hoje tem o propósito de que a história deste país seja escrita de forma transparente. Há muito que a OAB luta para que saibamos o que aconteceu durante a ditadura militar; já havíamos ajuizado uma ação para que os arquivos da ditadura não permanecessem secretos; ajuizamos outra para apurar denúncias de que arquivos esteavam sendo queimados e destruídos. Agora, impetramos esta para que os torturadores não fiquem a salvo da história. A Lei de anistia, como pensada inicialmente e depois reconhecida na Constituição, não beneficiou torturador. A Lei de Anistia diz especificamente que os crimes políticos e conexos estavam anistiados. Não a tortura. Tortura é crime de lesa-humanidade. Em sendo assim, ele é imprescritível e não se confunde com crime político. Agora, tenho certeza de que agora o Supremo terá oportunidade única de fazer com que a história brasileira seja contada e contada de forma não envergonhada, que é a punição dos torturadores”.

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