Aliança de Lula com o PMDB abriu espaço para bancada ruralista investir contra a legislação ambiental

A aliança que o PT fez com o PMDB alguns anos atrás, em nome da governabilidade, está na raiz do avanço dos ruralistas contra o Código Florestal, a Lei de Crimes Ambientais e as normas do Conselho Nacional de Meio Ambiente.

É o que confirma matéria publicada hoje pelo Valor Econômico, o mais bem feito jornal de economia do país, uma joint venture dos grupos Roberto Marinho (Globo) e Victor Civita (Abril) que desbancou a antiga Gazeta Mercantil.

Sem a resistência do velho e até recentemente ético Partido dos Trabalhadores (PT), que passou a fazer corpo mole quando se trata de preservar os interesses da maioria da sociedade em defender o meio ambiente, os deputados eleitos pelos latifundiários e empresas do agronegócio deitam e rolam nas comissões.

Dominaram a comissão de meio ambiente, criaram a Frente Parlamentar da Agropecuária e conseguiram impor uma derrota aos ambientalistas ao implantar semana passada a comissão especial que busca substituir o Código Florestal por um “código ambiental“ de mentirinha, à moda do que foi feito em Santa Catarina.

Colocaram como relator um deputado que, mesmo sendo de esquerda,  joga do lado dos desenvolvimentistas: Aldo Rebelo, do PCdoB, não merece a confiança da bancada ambientalista, como dizem Ivan Valente, do PSoL, e Edson Duarte, líder do PV.

O próximo negócio dos ruralistas será obrigar o governo do PT a adiar as multas milionárias que a lei exige até o final do ano dos fazendeiros que desmataram além do permitido e não recompuseram suas reservas legais.

Vai ser um agronegócio de algo como 5 bilhões de reais em multas que deixarão de ser recolhidas ao Fundo Nacional de Meio Ambiente, como demonstra o insuspeito Valor.

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