Voto em Marina é jogada do PV para forçar segundo turno

1 de agosto de 2010

Votar Marina é tentar criar condições para haver segundo turno e, com isso, abrir espaço para negociações com o futuro governo.

Este raciocínio sempre esteve por trás da “brilhante“ idéia dos dirigentes que comandam o Partido Verde há mais de uma década,quando decidiram convidar a senadora.

Por não concordar com esta farsa, boa parte dos militantes históricos do PV ou se rebelaram e passaram a fazer campanha abertamente por Dilma Rousseff – como é o caso do ex-presidente Domingos Fernandes, ou do atual ministro da Cultura, Juca Ferreira – ou simplesmente deixaram o partido.

Além destes dissidentes, estimados em 30% da militância, outros simplesmente sairam do PV para criar novos partidos, que não disputam o pleito deste ano. O núcleo do Rio fundou Os Verdes, enquanto em Minas Gerais foi registrado o Partido Livre, já apoiando oficialmente a candidata do Partido dos Trabalhadores.

Mesmo sendo um ótimo nome – tanto é que está se mantendo na faixa dos 10% da preferência de votos nas pesquisas – Marina Silva pouco tem a ver com o programa e os ideais originais do Partido Verde, no Brasil ou em outros países.

No lugar de idéias libertárias e progressistas, como a defesa da descriminalização da maconha, a legalização do casamento gay, a aprovação do aborto e os princípios republicanos de separação entre estado e religião, o PV aparece nesta eleição com uma candidata que mistura sua crença evangélica com políticas públicas, ao condenar as pesquisas com células-tronco, colocando-se no campo mais reacionário dos políticos com assento no atual Congresso.

Não fala abertamente mas é totalmente alinhada com a reacionária bancada religiosa de protestantes e católicos, que vêm segurando a tramitação do projeto de descriminalização do aborto na Câmara e lutam contra avanços científicos como as pesquisas com células embrionárias.

Casamento entre pessoas do mesmo sexo e descriminalização da maconha, então, nem um pio. Como pode a juventude progressista, que defende a retirada de símbolos religiosos de prédios públicos e o estado laico, engajar-se na campanha de uma candidata como Marina Silva, a não ser pela propaganda enganosa que tenta ligar seu nome aos antigos ideais dos verdes no mundo inteiro?

E mais: quem acompanha em Brasilia as políticas públicas ambientais, desde o Governo Fernando Henrique, sabe que Marina Silva foi uma péssima ministra do Meio Ambiente, que não conseguia fazer andar as políticas necessárias para reduzir o desmatamento no cerrado e enquadrar os madeireiros e pecuaristas na Amazônia, muito menos segurar os ruralistas em questões-chave como a rotulagem dos transgênicos.

Tanto é que bastou Lula trocá-la por Carlos Minc para o Meio Ambiente resolver impasses que se arrastaram durante os anos Marina, inclusive o licenciamento para obras importantes para evitar que a Amazônia continue dependendo de termelétricas à base de óleo, altamente poluidoras.

Internamente, a presença do grupo de Marina no PV tem sido uma farsa: ele aceitou o convite para entrar no partido sob a promessa de que seria realizado um congresso para formalizar o ingresso de pelo menos dez ex-militantes do PT na executiva nacional, como primeiro passo para mudar o estatuto e acabar com a ditadura dos eternos dirigentes que usam o fundo partidário e impedem o exercicio da democracia interna no país inteiro.

O tempo foi passando, os velhos dirigentes foram enrolando a promessa e mesmo assim Marina não denunciou o esquema que encontrou dentro do PV. O resultado agora está aí: os candidatos a governador, via de regra, patinam na faixa de um por cento no país inteiro, pois nos estados são em geral figurinhas conhecidas por fazer alianças sem qualquer compromisso com o meio ambiente.

Mesmo assim, continuam todos da velha guarda apostando que vão se eleger deputados no rastro da popularidade de Marina e, ao conseguir levar a eleição presidencial para segundo turno, terão muito mais chance de fazer o que sempre souberam muito bem: negociar cargos e ocupar espaços nos governos estaduais, para se manterem empregados.

Só que o eleitorado não é tão fácil de se enganar como pensam os marqueteiros verdes – assim que começar daqui a 15 dias a propaganda obrigatória no rádio e da televisão, esta farsa do Partido Verde deve cair por terra.

O que está por trás da discussão do Código Florestal

10 de junho de 2010

A primeira leitura do substitutivo do deputado Aldo Rebelo confirma que o núcleo de divergências entre ruralistas e ambientalistas gira em torno das tentativas de, no curto prazo, livrar as propriedades rurais de multas e da obrigação de começarem a recompor áreas desmatadas ilegalmente e, no longo prazo, de se transferir aos Estados uma competência da União, que é a de legislar sobre biomas protegidos pela Constituição - Amazônia, Mata Atlântica e Pantanal. No meio está a exploração da confusão que se criou entre a existência de pontos da legislação que precisam mesmo ser atualizados e, de outro lado, o aproveitamento do momento político-eleitoral para consolidar a influência do agronegócio no Congresso.

Tanto ruralistas quanto ambientalistas sabem – mas ninguém fala abertamente por razões eleitorais – que a transferência de competência aos Estados significa que as futuras decisões estarão muito mais sujeitas às pressões políticas regionais, favoráveis à maximização do lucro sem gastos com aumento da produtividade e antipáticas às restrições preservacionistas. Exceto talvez em estados de economia urbano-industrial, como São Paulo e Rio, na maior parte do país a esfera estadual é onde o jogo político é mais rasteiro, a opinião pública menos presente devido ao controle da mídia pelo poder político-econômico, e os interesses públicos mais submetidos às pressões empresariais locais do que no plano nacional.

Experiências recentes confirmam isto – como o caso de Rondônia, que no passado fez um Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) posteriormente considerado inaceitável tecnicamente, revelando por trás a influência do interesse político-econômico no estado cuja cobertura vegetal foi quase toda destruída pela expansão da fronteira agrícola.

Outro exemplo do aprimoramento da tática político-ideológica da classe ruralista - que rejeita a necessidade de se mudar o modelo econômico para incluir a sustentabilidade com a qual o país se compromete cada vez mais a nível internacional – foi Santa Catarina, onde a Assembléia Legislativa aprovou por unanimidade um “código ambiental” independente da legislação federal que, agora, não pode ser aplicado por estar sub judice no Supremo.

Como se o atrasado capitalismo de agronegócios no país precisasse se “modernizar” às custas do meio ambiente e não através de um novo - e caro - modelo de práticas sustentáveis, a aliança dos grandes fazendeiros com o velho desenvolvimentismo comunista vem sendo bem sucedida em boa parte pela exploração da confusão decorrente do fato de haver realmente um conjunto de dispositivos na atual legislação ambiental que precisa mesmo ser atualizado. Exemplo são algumas mudanças pontuais que o Ministério do Meio Ambiente chegou a começar na gestão de Carlos Minc, como a flexibilização das reservas legais para pequenas propriedades, ou a descriminalização de práticas antigas de agricultura familiar em encostas de morros na região Sul.

Por último mas não menos importante está o fato de que o substitutivo simplesmente concede uma anistia geral de bilhões de reais ao setor rural, ao se passar uma borracha nas ilegalidades cometidas até agora por proprietários em todos os biomas. Como mais de 90% das propriedades não cumpriram a determinação de recomporem suas reservas legais, estão sujeitas ao pagamento de multas e ao replantio de áreas desmatadas para saírem da ilegalidade e voltarem a ter direito ao crédito rural.

O Executivo concedeu sucessivas prorrogações de prazo para esta adequação, mas isto não tira a ameaça de se ter, a qualquer momento, uma decisão judicial que obrigue o sistema bancário a cumprir o chamado “protocolo verde”, do Conselho Monetário Nacional, segundo o qual não podem emprestar dinheiro a quem estiver em desacordo com a legislação ambiental.

São estes, portanto, aspectos centrais que precisam ser expostos nas discussões sobre a mudança na legislação ambiental brasileira – no aspecto político, a passagem do controle aos Estados que é vista como entregar o galinheiro às raposas, e no aspecto econômico, que á a anistia aos transgressores ambientais e a recusa de se adotar um modelo sustentável de desenvolvimento por parte do setor agrário da economia brasileira.

Gabeira lança candidatura a governo do Rio, sem presença de Marina

23 de maio de 2010

Gabeira é o pré-candidato da coligação que reúne PV, PSDB, DEM e PPS.

Presentes ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), pré-candidato ao Senado Federal, o filho dele, o deputado federal Rodrigo Maia, presidente nacional do DEM, o ex-governador Marcelo Alencar (PSDB), o deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB) e o pré-candidato ao Senado pelo PPS, Marcelo Cerqueira.

Matéria do G1 menciona ausências da senadora Marina Silva (PV-AC), que está com 11% de intenções de voto para presidência da República, segundo o DataFolha,  e Alfredo Sirkis, presidente estadual do PV-RJ, além da vereadora Aspásia Camargo, do Rio (RJ).  Os representantes do PV no lançamento de Gabeira foram o presidente nacional, José  Penna, no cargo há 10 anos, e o pré-candidato ao governo de SP pelos verdes, Fábio Feldmann.

Gabeira e Sirkis estão em divergência aberta, segundo o G1, pois o primeiro queria que Aspásia saisse para o governo estadual e Gabeira para o Senado. Mas Gabeira preferiu ampliar a aliança que fez há 2 anos com o PSDB, PPS e DEM. Ele deve apoiar Marina no primeiro turno e, se houver segundo turno, ficaria com Jose Serra, governador de SP que está tecnicamente empatado com a ex-ministra Dilma Rousseff, do PT, na faixa dos 38% das itenções de voto segundo o DataFolha.

No fim de semana a senadora Marina Silva considerou normal, como parte da democracia, a saída de dissidentes do PV para formar o Partido Livre, que vai apoiar Dilma para a presidência. Já é o segundo partido que nasce de dissidência dos Verdes - o primeiro foi Os Verdes, criado no Rio. O Partido Livre foi criado em convenção em Belo Horizonte (MG), há poucos dias.

A principal origem da luta interna entre os verdes é a falta de democracia interna no PV, onde há dez anos manda o mesmo grupo de dirigentes, que inclusive se recusaram a promover um congresso nacional no ano passado para homologar a entrada do grupo de ex-petistas que seguem a pré-candidata Marina Silva. A promessa era fazer este congresso em novembro, o que não aconteceu. Depois jogaram para março deste ano e até agora estão enrolando a turma de Marina.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, é ainda visto como líder da ala dos verdes de esquerda que preferem a pré-candidata Dilma Rousseff e não aderiram à candidatura de Marina. Juca pediu licença mas não se desfiliou do PV. Outra liderança histórica que também trabalha por Dilma é Domingos Fernandes, ex-presidente do PV na década passada. São nomes que, assim como Gabeira e Sirkis, participaram da luta armada contra a ditadura militar, assim como Dilma Rousseff.


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