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Garrastazu Medici deu ordens para que todos guerrilheiros do Araguaia fossem mortos

3/12/2008 por João Arnolfo

O Ministério da Defesa e a assessoria de imprensa do Exército recusaram-se até o final do expediente desta quarta-feira (3/12) a comentar o depoimento do primeiro tenente da reserva José Vargas Jimenez, que confessou ter torturado pessoalmente no pau-de-arara um camponês suspeito de colaborar com a guerrilha do Araguaia entre 1973 e 1974.

Jornalistas que presenciaram o depoimento de Jimenez a uma comissão especial da anistia, na Câmara dos Deputados, ficaram estarrecidos com a frieza com que o militar da reserva confirmou ter sido um torturador. Ao ser procurada, a assessoria do ministro da Defesa, Nelson Jobim, informou que não iria comentar o depoimento. O Exército não retornou ligações dos jornalistas.

O torturador contou em detalhes como agiram os militares para que nenhum guerrilheiro saisse vivo do Araguaia, segundo ele seguindo  ordens do então ditador Emilio Garrastazu Médici, presidente da República na época.

Essa orientação - para matar todos os guerrilheiros - Jimenez teria ouvido de seus superiores, entre os quais identifica o ex-militar do Serviço Nacional de Informações (SNI) que comandou as operações contra os guerrilheiros, Sebastião Curió, que depois viria a cuidar do garimpo de Serra Pelada, no Pará.

O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), relator da comissão especial da anistia, sugeriu que Curió seja convocado para confirmar os relatos de Jimenez.

O deputado Fernando Ferro (PT-PE) negou que a comissão tenha agido de maneira agressiva com Jimenez, dizendo que esperava mais coragem de um torturador. 
- Imagine como se sentiram suas vítimas submetidas à tortura - disse  o parlamentar, após ouvir a confirmação dos detalhes de entrevistas que o primeiro tenente da reserva dera às revistas IstoÉ e Época, ao lançar um livro com os relatos das barbaridades.

Jimenez confirmou que pessoalmente torturou pelo menos um camponês suspeito de colaborar com a guerrilha.
- Nós o colocamos no pau de arara, mas ele não queria falar. Passamos açucar em seu corpo e o colocamos sobre um formigueiro, quando as formigas começaram a subir ele resolveu falar - relatou, para espanto dos presentes, com toda frieza.

Disse que durante os meses que passou na mata registrou a morte de 32 guerrilheiros e alguns camponeses, bem como de um militar morto por fogo amigo (foi confundido com guerrilheiros por tropas da Polícia Militar que ajudavam as Forças Armadas).

Contou que, como não podiam carregar os corpos dos guerrilheiros mortos na selva, recebeu ordens para cortar mãos e cabeças de pelo menos três guerrilheiros, para posterior identificação.

Os presos eram entregues ao pessoal de inteligëncia, comandado pelo CEIEx (Centro de Inteligencia do Exército), numa instação em Xambioá conhecida como Casa Azul.

Dali eles sumiam, eram mortos. O corpo de Oswaldão, herói da guerrilha do ponto de vista da esquerda, teria caído de um helicoptero dos paraquedistas, segundo o relato do toruturador.

A comissão de Anistia vai exigir na Justiça que ele entregue os documentos que diz ainda ter em seu poder. Ele também aceitou ir até o Araguaia para tentar msotrar os locais que menciona em seu depoimento. Mas em nenhum momento admitiu saber onde estejam enterrados corpos.

- Eles ficavam lá, sem enterrar, e eram comidos pelos bichos. Só enterrávamos os nossos - disse Jimenez.

Muitos dos presentes questionam a motivação para ele estar contando estas coisas, se é porque quer ganhar notoriedade com seu livro ou porque tem algum acerto pessoal com as Forças Armadas.

Ele admitiu que fica ressentido porque seus antigos superiores não vêm a público defender a ação dos militares a serviço da ditadura na época. 

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Torturadores da época da ditadura começam a aparecer

3/12/2008 por João Arnolfo

Nove parlamentares de quatro partidos (PT, PCdoB, PSB e Psol) assinaram representação entregue na manhã desta quarta-feira (3/12) ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, contra o militar aposentado Marcelo Paixão de Araújo. O militar admitiu à revista Veja, em 1998, ter torturado cerca de 30 pessoas no 12º Regimento de Infantaria do Exército em Belo Horizonte (MG), onde serviu entre 1968 e 1971 como tenente.

A representação se baseia no princípio de não-prescrição de crimes contra a humanidade e na tese de que a Lei da Anistia não pode servir para proteger torturadores, de acordo com matéria da Agência Câmara.

Os parlamentares pedem ao Ministério Público Federal que adote “todas as medidas cabíveis voltadas a identificar cada um dos crimes contra a humanidade cometidos pelo Sr. Marcelo Paixão de Araújo durante o período de 1968 a 1971″, bem como a responsabilização civil e criminal do ex-tenente.

A representação é assinada pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), Chico Alencar (Psol-RJ), Iriny Lopes (PT-ES), Janete Rocha Pietá (PT-SP), Jô Moraes (PCdoB-MG), Luiz Couto (PT-PB), Luiza Erundina (PSB-SP) e Pedro Wilson (PT-GO).

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Militar da reserva confessa que torturou camponeses durante a Guerrilha do Araguaia

3/12/2008 por João Arnolfo

Pela primeira vez um militar do Exército - o terceiro tenente da reserva José Vargas Jimenez - confessou nesta quarta-feira (3/12), diante de uma comissão especial da Câmara dos Deputados, que torturou camponeses suspeitos de apoiarem a Guerrilha do Araguaia, tocada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na primeira metade da década de 1970.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Daniel Almeida, do PCdoB, informou que o Ministério Público Federal será acionado para processar o torturador confesso, com base no pressuposto jurídico de que tortura é crime imprescritível, segundo convenções internacionais, e não se enquadra na Lei de Anistia aprovada em 1979 durante a ditadura militar brasileira.

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