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Crise financeira americana pode contaminar resto do mundo e desvalorizar o real

14/08/2007 por João Arnolfo

Alguns acharam precipitada a previsão feita por este blog, semana passada, de que o dólar voltaria a subir, tendendo a chegar casa dos 2 reais.

Agora, está aí: fechou hoje (14) na base de US$ 1 = R$ 1,95.

O que está havendo você vê na tv, lê aqui e alí: todo mundo sabe que vai haver quebradeira de instituições financeiras com créditos imobiliários nos Estados Unidos e isso já está balançando as bolsas da Europa e Ásia há dias.

Como ensinam os manuais, há neste momento uma queda-de-braço entre os bancos centrais do planeta e os especuladores do mercado financeiro.

Como repórter de economia vimos isto lá atrás, quando o biolionário Geoge Soros peitou o Banco da Inglaterra e ganhou a parada especulando com prata nas bolsas de mercadorias e futuro.

O governo britânico na época perdeu a briga e teve que deixar que a libra fosse desvalorizada.

Agora, os especuladores agem em rede velocidade próxima da luz através da World Wide Web (WWW), movimentando em fração de segundos bilhões de unidades monetárias (dólares, euros etc) e derivados (papéis emitidos em cima de apostas futuras em taxas de juros, preços de mercadorias agrícolas etc).

Há anos os economistas de ponta e pensadores da esquerda esclarecida chamam a atenção para o processo não mais apenas de globalização - isso já aconteceu, foi como o mercantilismo e pronto - mas sim de financeirização da economia mundial.

Pois esta, a primeira proto-crise econômica mundial do século 21, lembra a todos que as crises são inerentes ao capitalismo e agora temos uma economia global super-financeirizada, onde houve um descolamento entre a base real da economia, a riqueza produzida pelo capital e trabalho, e a super-estrutura financeira.

Quem já usou sabe como é fácil comprar uma casa em Fort Lauderdale, Florida - o banco financia na hora, com a casa hipotecada, e começa a descontar de sua conta corrente, onde empréstimos automáticos cobrem eventuais inadimplências temporárias.

As dívidas crescem mas, enfim, há dezenas de cartões de crédito e linhas disposição e o consumidor não pensa - ele age.

Também não pensa, mas age rapidamente para proteger sua poupança contra eventuais quebradeiras de bancos, empresas ou países o investidor de qualquer um dos nossos países com economias de primeira linha (o Brasil está novamente entre os dez ou doze maiores Produtos Internos Brutos-PIBs do mundo).

Quando você, que tem suas economias aplicadas em um fundo de previdência privada, por exemplo, ou um fundo de investimento de um banco - você vê que entre os títulos que compõem a carteira de suas aplicações estão papéis podres, que as instituições vão empurrando de uma para outra até criar uma cadeia do diabo.

Quando um elo desta cadeira estoura - como acontece neste momento nos EUA com financeiras do mercado imobiliário diante da menor demanda por casa própria e inadimplência de mutuários - há o efeito cascata, fazendo com que quebrem ou tenham prejuízos todos que, no mercado, “carregavam” títulos podres.

Do lado dos poupadores, segue-se o efeito manada que o ex-ministro Pedro Malan apontava em épocas de aproveitamento interno de dificuldades externas da economia brasileira na segunda metade dos anos 1990.

Como gado que segue impulsos coletivos, o investidor sai correndo de quem carrega papel podre e transfere suas economias para papeis seguros.

Quem diz o que é seguro e não, é o próprio mercado.

Esta entidade sobrenatural faz isto enquanto corre pelas pradarias, qual manada de búfalos assustados com um tiro de fuzil, quando ouve notícia ruim vinda da maior economia do planeta.

Uniram-se os bancos centrais da Europa e EUA para ofertar moeda forte no mercado - mais de meio bilhão de dólares na semana passada.

Os especuladores se acalmaram um pouco mais voltaram carga hoje - a bolsa brasileira refletiu a crise de desconfiança, caindo e puxando para baixo o real.

Os próximos dias serão cruciais para saber se vamos ou não ter uma crise econômica no mundo real ou assistiremos apenas uma crise financeira controlável sem maiores traumas para os mais fracos - neste caso, as economias emergentes como a brasileira.

Que a previsão do câmbio não tenha que ser refeita para pior rapidamente, mais rápido que você e eu imaginávamos semana passada.

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Renan atrapalhou a vinda de Al Gore ao Congresso para não prejudicar conterrâneo Collor

13/08/2007 por João Arnolfo

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está cada vez mais isolado pelo antigo aliado Lula mas há um movimento muito forte entre os senadores nordestinos para salvá-lo da cassação, pois todos estariam escondendo alguma coisa.Agora ficou-se sabendo que Renan, nesta situação de cái não cái, vem atrapalhando muito mais do que as votações de matérias importantes no plenário do Senado: quando a crise eclodiu, ele deixou em cima da mesa uma pilha de coisas sem assinar.

Um exemplo: o pedido de convocação de sessão conjunta do Congresso Nacional, para debater políticas públicas emergenciais contra o aquecimento global, onde o principal convidado (já acertado época) seria nada menos que o ex-vice presidente americano Al Gore, Oscar de melhor documentário deste ano.

Renan não assinou antes do caso com Mônica ganhar a dimensão de escândalo porque não queria contrariar seu “aliado tácito” em Alagoas, o ex-presidente derrubado por corrupção e atual senador Fernando Collor (PR-AL).

Ocorre que o oficio formal da Frente Parlamentar Ambientalista, com 300 integrantes, estava negociada com o escritório de Al Gore no Tennessee, em detrimento de outro convite semelhante para vir ao Brasil, anunciado pela imprensa por Collor mas que nunca chegou a ser conversado diretamente com Gore.

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Crise financeira internacional pode elevar dólar para a casa dos 2 reais

10/08/2007 por João Arnolfo

Acende a luz amarela: poderemos voltar a ter taxas de câmbio na base de um dólar para 2 reais ou mais (em vez do atual patamar de R$ 1,90 para US$ 1,00) e a tendência de queda dos juros pode ser interrompida pelo Banco Central.

A última coisa que Lula poderia querer para seu segundo mandato pode estar começando a se delinear no horizonte: uma crise econômica mundial, desencadeada pela insolvência do sistema financeiro imobiliário da economia americana e pelos problemas das exportações chinesas com câmbio artificialmente baixo.

É o perigo da chamada financeirização global.

Além dos fundamentos econômicos, o pano de fundo para a crise da economia globalizada está dado há tempos: as guerras no Iraque, Paquistão, Afeganistão, com ameaça de expansão do conflito árabe-israelense e entrada do Irã no clube atômico, e agora a necessidade de adaptação do capitalismo ao aquecimento global, com aumento de custos de produção e deslocamento de capitais.

O presidente americano George Walker já explicou que “os fundamentos da economia dos Estados Unidos estão sólidos e são exemplo para o mundo”.

É como “pronunciamientos” de republiquetas: se está tudo bem, para quê explicar?

Aqui dentro o ministro Guido Mantega também achou por bem explicar na portaria do Ministério da Fazenda - onde ministros deveriam ser proibidos pelo assessor de imprensa de dar entrevista - o que todo mundo já sabe: inflação está baixa, o câmbio é favorável, a economia está crescendo de modo sustentável e, principalmente, o país tem reservas récordes de US$ 158 bilhões para bancar qualquer falta repentina de liquidez internacional.

Seguro morreu de velho: o Banco Central certamente vai interromper ou graduar para parar a queda das taxas de juros nas próximas semanas, até entender o que está havendo com as bolsas e o lado real da economia.

Havendo uma crise externa daqui até o final do ano, seu reflexo se faria sentir na eleições municipal de 2008?

Dependendo da extensão, poderá contaminar a campanha eleitoral de 2010 para presidente, governadores, senadores e deputados.

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