Apagão geral mostra que precisamos descentralizar geração de eletricidade
quarta-feira, 11 de novembro de 2009Por volta das 22h40 de terça-feira (10) acabou a eletricidade em oitocentas cidades brasileiras, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.
Há caos nas grandes cidades, com praticamente todos os prédios e residências sem eletricidade. Só funciona o que tem gerador próprio.
O abastecimento de água começa a ser afetado em SP e no Rio de Janeiro, pois as bombas dependem de eletricidade.
É a primeira vez que ocorre um blackout tão extenso. Também o Paraguai ficou sem eletricidade, pois foram desligadas as turbinas da hidrelétrica de Itapu, uma das maiores do mundo.
Em Brasilia o problema não ocorreu, mas aqui perto, no estado de Goiás, falta energia.
O ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, atribuiu o problema a tempestades e raios que podem ter atingido as linhas de transmissão. Acabou de dizer na tv que Itaipu voltou a ser reenergizada, seja lá o que isto significa.
O que precisa ser tirado deste apagão é a velha lição: não podemos ficar dependendo de uma única mega-usina hidrelétrica, que deixou de transmitir 14 mil megawatts.
Precisamos repensar tudo e construir hidrelétricas menores, assim como sistemas alternativos, baseados em energia solar, eólica e biomassa, para que as cidades tenham autonomia e não sejam paralisadas num caso destes.
E se fosse um ato de terrorismo contra Itaipu? Ou de sabotagem? Lembre-se que o Paraguai está sob ameaça de um golpe militar e que aquele país exige que o Brasil pague mais pela energia que compra dos paraguaios. Itaipu é um das maiores hidrelétricas do mundo, construídas no rio que divide Brasil e Paraguai e operada binacionalmente.
Desde os anos 70 que os ambientalistas alertam para a necessidade de autonomia energética regional, local.
A grande mídia, Globo à frente, pede que sejam colocadas em funcionamento as usinas termelétricas, movidas a óleo. São as usinas mais poluentes que existem.
Não é isso que precisamos.
Após a meia-noite o governo informou que começou a restabelecer o fornecimento de energia, mas não sabe ainda explicar o que ocorreu.