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Marina Silva aticula apoio internacional à causa ambientalista

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A senadora Marina Silva (PV-AC) está articulando apoio internacional à causa ambiental, durante viagem aos Estados Unidos. Nesta terça-feira (27) ela tem um almoço de trabalho no Congresso americano, em Washington, e depois se reúne com a líder pacifista negra, a democrata Barbara Lee, da California.
A questão climática está no centro das conversas. Marina esteve ontem (26) no Woodrow Wilson Center, em Washington, debatendo as propostas que Brasil, China e Índia devem levar à reunião da ONU sobre o clima, na Dinamarca, na segunda semana de dezembro.
O tema estará em debate também com os gabinetes dos senadores americanos John Kerry e lindsey Graham, que estão preparando uma proposta de Lei Climática que inclui metas de redução das emissões de carbono em todos os setores da economia americana.
A senadora Marina deu mostras de continuar bastante comprometida com os movimentos sociais e consciente da ameaça da bancada ruralista no Brasil. Comentando a CPI do MST que foi criada no Congresso brasileiro, ela deixou claro que precisa ser investigado também o repasse de dinheiro aos agropecuaristas. Se for para investigar só o MST seria algo injunto, unilateral, em sua opinião.
Em Brasília, circula a informação de que o Governo Lula está preparando uma medida provisória para anistiar os ruralistas que deveriam ser multados a partir de 11 de dezembro por terem desmatado além do permitido. Nesta terça, o ministro Carlos Minc, que sucedeu Marina no Ministério do Meio Ambiente, pretende esclarecer qual será a proposta brasileira a ser levada à reuniao do clima em Copenhague.

Memórias Reveladas: agora só falta abrir arquivos e punir torturadores

domingo, 18 de outubro de 2009

Chama a atenção a campanha que o Governo Federal faz no rádio, jornais e televisão pedindo às pessoas para apresentarem informações que possam levar à descoberta do que aconteceu com os mais de 130 desaparecidos políticos da época da ditadura.

Memórias Reveladas é uma campanha tecnicamente bem feita, toca as pessoas pelos depoimentos de familiares e serve de alerta aos que participaram direta ou indiretamente dos atos bárbaros da repressão política entre 1964 e 1985.

E cumpre algum papel educativo para os mais jovens, que nem sempre têm uma idéia clara do que aconteceu nos porões da ditadura, inclusive porque o discurso da direita persiste, procurando amenizar os crimes e dizer que os perseguidos é que seriam os culpados, por estarem tentando subverter a ordem dos generais.

Mas a campanha peca no essencial, que é a busca da verdade.

Se o governo quisesse mesmo saber e publicar o que aconteceu - por exemplo, com os companheiros Honestino Guimarães, da Universidade de Brasília, ou Marco Antonio Dias Batista, da Frente Revolucionária Estudantil, de Goiânia, para ficar em dois nomes com quem convivemos - não precisava gastar R$ 13,5 milhões com a campanha.

Bastava  mandar, por decreto, que todos os arquivos do Exército, Marinha e Aeronáutica, bem como do antigo Serviço Nacional de Informações (SNI) e da Polícia Federal e das secretarias estaduais de segurança, fossem totalmente abertos.

Se não tem poder sobre os antigos órgãos de repressão, que poderiam ter escondido ou destruído os arquivos, o governo teria outro caminho se fosse sincera sua vontade de esclarecer tudo: bastaria proibir o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e os advogados da União, entre outros, de defender a anistia para ex-torturadores.

Seria o bastante  para que corressem livremente os processos abertos pelo Ministério Público contra, por exemplo, o antigo dirigente do DOPS paulista, coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Ou contra  centenas de outros torturadores que estão soltos e impunes - muitos viraram até autores de livros mal escritos de autodefesa ideológica, como o próprio Ustra e o capitão Aluisio Madruga, que comandou o Pelotão de Investigações Criminais (PIC) da Polícia do Exército, em Brasília, onde tanta gente foi torturada e alguns desapareceram, como o ex-líder camponês José Porfirio, de Trombas, Goiás.

Como denuncia o Movimento Tortura Nunca Mais, a campanha do governo não transmite sinceridade.  Pode até ser que estejam bem intencionados os antigos companheiros guerrilheiros que hoje estão no ministério do Governo Lula, quando mandam fazer este tipo de campanha - mas não contribuem para o acerto de contas com a história, pois dá a impressão de quererem colocar panos quentes sem de fato tomar as atitudes que precisam ser tomadas, mesmo contrariando o Clube Militar do Rio de Janeiro, ninho ideológico da extrema direita.

Ou será que a campanha Memórias Reveladas não se destina mais a evitar que o Brasil seja condenado em tribunais internacionais por deixar de punir torturadores do que, digamos, apurar realmente a verdade? Ou apenas jogar o assunto na mídia este ano para que em 2010 estas lembranças não assustem a classe média conservadora que acredita que guerrilheiro contra a ditadura era terrorista, como escreve até hoje a revista Veja?

Se os advogados da União pararem de contestar os processos abertos pelo Ministério Público, como no caso de São Paulo, já teríamos muita gente sendo condenada na justiça por morte, tortura e desaparecimento de adversários da ditadura militar.

Com isso descobririamos a verdade sobre os desaparecidos, pois os velhos torturadores acabariam entregando seus mandantes e a macabra teia dos DOI-CODIs seria revelada de vez.

O Brasil é uma vergonhosa exceção,  uma das poucas grandes nações que não julga seus criminosos de guerra interna como foram os comandantes da tortura e dos desaparecimentos. Pelo mesmo motivo que o PSDB dos ex-perseguidos pela ditadura Fernando Henrique e José Serra não conseguiu governar sem o ex-PFL, assim como o PT de Lula não governa sem o PMDB conservador.

Mostra que realmente aqui nunca se resolvem as contradições históricas porque isso não interessa à classe dominante - como ocorreu com a independência, com a proclamação da republiqueta dos militares, com os golpes contra os movimentos populares como Canudos e outras tantas mentiras da história oficial.

Até o Paraguai acaba de abrir seus arquivos da ditadura. No Chile, há dezenas de militares condenados e presos.  A Argentina tem até velhos generais que trocaram a Casa Rosada pela cadeia. No Uruguai idem - e por quê os torturadores brasileiros continuam impunes? Por que uma parte do governo continua negando os tratados internacionais que dizem ser a tortura crime imprescritível?

Enquanto os criminosos da ditadura não forem processados e punidos, com seus nomes execrados oficialmente, ninguém levará a sério campanhas publicitárias bem feitas mas sem credibilidade histórica, como esta Memórias Reveladas que nada revelam porque não há vontade política para isto.

Executiva do PV não cumpre acordo com equipe da senadora Marina

domingo, 11 de outubro de 2009

A executiva nacional do Partido Verde não joga às claras com a equipe da senadora Marina Silva. Acertaram uma composição meio a meio, com dez pessoas indicadas pela pré-candidata e outras dez da antiga executiva que comanda o partido há dez anos, mas na semana passada isto mostrou-se mais uma falácia.

Fizeram de conta que estavam dividindo o comando do partido, agora dão a entender que se trata apenas de uma comissão consultiva, algo como o embrião de uma futura coordenação de campanha. Mas quem continua dando as cartas e mantendo o partido atrelado à direita é a velha e desacreditada executiva.

As listas de nomes de interessados em se filiar nos diretórios estaduais (quase todos provisórios, mantidos por indicação da nacional e nunca por eleição interna) foram passadas pelo pente fino da turma antiga, que rejeitou a maior parte, sem dar chances à equipe da senadora de interferir a tempo de modo a mudar a correlação de forças.

Mandaram recadinhos desaforados, dizendo que assessores da senadora não tëm poder algum na executiva - ao contrário do que havia sido informado à imprensa durante o show de filiação da ex-ministra do Meio Ambiente, em São Pailo, no mês passado, quando ela prometeu refundar o PV.

Bem fez o companheiro Juca Ferreira, líder da dissidência de esquerda, declarando na época, em linguagem diplomática, que o partido não estava preparado para receber a herdeira do espírito de Chico Mendes.

Em todos os casos da última semana de setembro ficou claro também que os eternos dirigentes verdes não pretendem deixar a opção preferencial pela direita - com a coligação feita por cima em SP com a dupla Serra/Kassab (PSDB-DEM), ou aliança de Fernando Gabeira com o PSDB e o PPS em o apoio implícito do DEM de César Maia, no Rio de Janeiro.

Em unidades da Federação de menor importância para o partido, onde praticamente não tem ninguém eleito após 20 e tantos anos de existência, permanece a orientação da executiva nacional para continuar o regime de aluguel do partido às oligarquias endinheiradas.

Em Goiás, sem ouvirem sequer o único prefeito e o único vereador eleitos em 2008, recusam-se a sair da órbita de controle do PSDB comandado pelo senador Marcone Perilo, impedindo a filiação de centenas de militantes ambientalistas que se entusiasmaram com a candidatura da senadora Marina Silva.

Seria uma surpresa positiva se, nos próximos dias, alguém contraditar esta informação - mostrará que o grupo da senadora conseguiu algum progresso. Ou, na pior das hipóteses, que a camarilha refez as contas e viu que a aliança montada pelo presidente Lula naquele estado tem mais chances de ganhar em 2010, logo é melhor saltar fora do barco direitista.

Em Brasília, o partido não existe, nunca elegeu ninguém, não tem diretório permanente, não faz eleições internas etc  - seu dono, digo, presidente não eleito, sempre apontado e reapontado pela canetada da executiva nacional há uma década, continua com seu carguinho de sub numa secretaria inexpressiva do Governo de José Arruda (DEM), para onde onde levou a maior parte do diretório de mentirinha, indicado, não eleito, para ocupar cargos e se preparar para apoiar a corrente da direita no ano que vem.

Na imprensa plantam notinhas de que sairão com chapa completa - quem decidiu? Qual convenção? Quem votou? Com quais nomes? De onde virão os recursos?

Na realidade contiuam em conluio com o DEM e com toda a cambada da direita que destruiu ambientalmente o Distrito Federal com a grilagem das terras, nos últimos governos de Joaquim Roriz e sua turma, agora alojada no governo Arruda.

Provavelmente estes falsos verdes estão maquinando a manjada estratégia de sair no primeiro turno com candidaturas que tirem algum  voto da juventude idealista que ainda acredita na grife verde (e que de outra forma votaria com o campo progressista da esquerda), com dois objetivos: embaralhar o jogo e dividir, em vez de se unir ao campo da esquerda liderada pelo PT; e, depois, para tirarem melhor proveito no segundo turno, quando certamente farão aliança com quem estiver mais bem colocado nas pesquisas, de modo a assegurarem a continuidade do empreguinhos na máquina estatal.

Moral da história: o Partido Verde comandado pela atual executiva paulista não tem o menor compromisso ideológico com o que quer que seja, nem com o ambientalismo, nem com qualquer corrente de pensamento, muito menos com seu estatuto progressista e seus princípios universais. Seu único compromisso é com o mais mesquinho interesse pessoal de continuar controlando a grife verde, com todo desprezo pela democracia, pelas idéias, pela honestidade e pelos princípios ético-ambientalistas.

Com esta velha desculpa de não estar à esquerda nem à direita, a camarilha dos dirigentes do PV faz sim o jogo da direita, dos donos do grande capital, dos meios de produção, das fábricas, do dinheiro, dos bancos e das terras, hoje bem representados pela coligação direitista PSDB/DEM e seus partidos-satélites de aluguel.

Se não fosse pela Dissidência Ética, representada pela corrente do ministro Juca Ferreira, da Cultura - indicado a contragosto do partido  por decisão particular do presidente Lula - já teríamos todos nos desfiliado em massa, assim como ao longo dos anos a militância idealista do partido vem se afastando rapidamente e se juntando em redes sociais na internet.

Mas vamos dar mais algum tempo e ver se a companheira Marina e sua equipe tem ou não tem a força necessária para se impor à manjada executiva nacional - se não tiver, nem adianta ficar esperando o tal congresso prometido para os próximos meses, onde se daria a prometida refundação do partido verde no Brasil.

Por estas e tantas outras, de pouco adianta o entusiasmo popular em torno da figura carismática da ex-seringueira do Acre que virou símbolo de defesa da Amazônia, se por trás existe o mesmo e velho partido sem democracia interna, baseada nos jogos de interesses pessoais, inconfessáveis, das alianças de bastidores, dos acordos excusos, do mais atrasado jogo político digno muito mais de uma república bananeira do que de uma democracia de massas que vem se construindo no Brasil.

PS - Só para lembrar, o honesto deputado federal Dr. Nechar achou por sair do partido, por absoluta falta de espaço em SP, onde nunca concordou com o jogo pequeno da executiva nacional e por ela foi alijado.