Como usar internet e celular para mobilizar multidões?
segunda-feira, 29 de junho de 2009A censura aos meios de comunicação tradicionais foi furada pelo uso de mensagens rápidas no miniblog Twitter, conjugadas com blogs, emails e sites. AS short messages e filmagens em celulares aeewbatou milhões que querem mudanças.
O aparato da internet serviu serviu tanto para mobilizar os descontentes e organizar os protestos de rua quanto para fazer as imagens e notícias chegarem à mídia mundial.
Algo vinha sendo ensaiado há anos em outras partes do mundo. Mas nunca havia chegado tão longe, tão rapidamente e com tanto resultado, como na “revolução verde” iraniana de 2009, que expôs as divisões numa sociedade fechada governada por uma teocracia em fase de decadência diante do novo mundo da livre circulação de informações.
Se dá certo nos Estados Unidos para arrecadar milhões de dólares para a campanha do atual presidente Barack Obama, se dá certo para levantar as massas em torno de uma motivação política - no caso, exigir eleições limpas, ao modo ocidental - por que não daria certo nas eleições de 2010 no Brasil?
Não falta aqui a tecnologia - temos quase cem milhões de celulares, 50 milhões de usuários de internet e somos o país onde mais tempo se passa diante do computador.
A nova classe média, de baixa renda, internetiza-se rapidamente, juntando-se à tradicional classe média formadora de opinião.
Falta, aparentemente, um objeto social real - uma situação de indignação nacional levada às ruas e às urnas, um quadro de adversidade econômica como recessão ou inflação, etc.
Enfim, uma condição objetiva sobre a qual se possa construir uma causa, com apelo suficiente para mobilizar ativistas dispostos a experimentar as novas ferramentas de ação política.
Não basta qualquer causa - precisa ser “a causa”, o desafio principal, o problema central que num ponto do tempo e no espaço nacional possa ser elevada à condição de conteúdo para a mobilização pela internet com vistas a mudanças políticas.
Há que se descobrir no Brasil dos próximos doze meses aquele problema-símbolo, em torno dos quais giram todos os demais problemas nacionais e seus conhecidos diagnósticos - são tantos, que a gravidade de cada um se dilui e perde apelo coletivo, esvaindo-se na sucessão de eleições de cartas marcadas que cumprem o papel de válvula de escape da pressão social.
PS - Este problema central, para ser trabalhado como experimento de mobilização política usando as novas tecnologias, deve ter apelo internacional. Para isso, novamente o exemplo do Irã, onde ciberativistas se encarregaram de simplesmente traduzir o que aparecia na lingua local (farsi) para para o inglês (e vice-versa).