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Partido Verde faz parte do governo corrupto de Arruda no DF

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O escândalo do panetone, como vem sendo chamado o caso da corrupção milionária do Governo do Distrito Federal, comprova o que sempre falamos aqui: um governador com o histórico de José Roberto Arruda (DEM),  envolvido no escândalo da violação do painel do Senado anos atrás, não merecia o menor crédito de confiança de qualquer pessoa mais ou menos informada.

Muito menos de qualquer partido que um dia teve como parte de seu programa a bandeira da ética e da honestidade.

Mesmo assim, o Partido Verde comandado há dez anos anos pela mesma camarilha de dirigentes do presidente nacional José Penna, optou há dois anos por aliar-se ao governo Arruda, auto-indicando para sub-secretário da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente o presidente do PV no DF, Eduardo Cavalcanti Brandão.

Braço direito de José Pena e ex-secretário nacional de Finanças do PV, investigado por conta de prestação de contas mal explicadas ao Tribunal Superior Eleitoral, Brandão ficou conhecido entre a bancada de deputados verdes por ter procurado obter junto ao então presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti,  o perdão de uma multa milionária (R$ 800 mil) aplicada à empresa de sua família - a Sotecon Ltda, que não cumpriu o contrato de construção do prédio do Centro de Seleção e Treinamento (Cefor).

Engenheiro civil envolvido com contratos e sub-contratos com o GDF, Brandão anda sumido da Câmara, Mas naquela época frequentava assiduamente o gabinete de Severino, em busca do perdão da dívida - que não foi concedido - exatamente no momento em que, por uma dessas felizes coincidências, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) deflagrou o movimento em plenário para derrubar o presidente da Casa.

Por causa da corrupção, como não poderia ser diferente.

Houve manifestação pública de militantes e lideranças ambientalistas (que depois abandonaram o Partido Verde), diante do TSE e da sede nacional do partido, numa mansão do Lago Sul, exigindo a saída de Brandão (e Penna) por suspeita de corrupção. Os deputados que participavam da executiva nacional, como o próprio Gabeira, prometeram se movimentar para afastar os dirigentes sob suspeita da executiva nacional - mas nada foi feito.

Penna elegeu-se vereador por São Paulo, com apoio do DEM de Gilberto Kassab e do PSDB de José Serra, a quem prometeu apoio nas eleições de 2010, e provocou a revolta dos militantes que contribuiram para a campanha à Câmara Municipal em 2008 e não tiveram direito a aparecer de forma equitativa no programa eleitoral do partido.

Brandão continuou, como há quase dez anos, presidindo o diretório eternamente provisório do PV-DF, onde nunca houve eleições (os nomes são sempre indicados de ofício por Penna) e jamais se conseguiu eleger ninguem, nem formar um corpo de militantes.

Como desfecho da situação, Brandão entrou para o Governo de Arruda, sob protesto da ala esquerda do PV-DF, que se afastou do partido.

Alguns, como o ex-vice presidente do PV-DF, Gastão Ramos, trocou o PV pelo PSB.  Os outros dissidentes mantiveram-se fiéias à aliança anterior com o Partido dos Trabalhadores e estão unidos em torno do ministro da Cultura, Juca Ferreira, do PV da Bahia, apoiando a candidatura da ministra Dilma Rousseff em 2010.

Mês passado, com o lançamento da pré-candidatura da senadora Marina Silva à presidência da República pelo Partido Verde, Eduardo Brandão teve a coragem de dar entrevista ao Correio Braziliense para dizer que a ex-ministra do Meio Ambiente teria em Brasília o palanque de Arruda, único governador em todo o país que pertence ao direitista Democratas.

E agora, quando outros partidos - como o PPS e uma banda fisiológica do PSB e do PDT - anunciam que vão abandonar o barco de Arruda que está afundando no lamaçal da corrupção, o velho e manjado Partido Verde finge que não é com ele.

E continua no GDF, defendendo sabe lá quais interesses.

As investigações da Polícia Federal, com a Operação Pandora, vincularam claramente várias empresas com o fluxo de dinheiro para a corrupção do próprio Arruda, de vários de seus secretários e deputados de sua base de apoio na Câmara Distrital.

Quem sabe chega até onde deve chegar.

PS - Brandão, diga-se de passagem, é solidário quando se trata de fisiologismo verde: levou consigo, para o barco furado do Governo Arruda, praticamente toda a executiva distrital do Partido Verde.

Aliança de Lula com o PMDB abriu espaço para bancada ruralista investir contra a legislação ambiental

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A aliança que o PT fez com o PMDB alguns anos atrás, em nome da governabilidade, está na raiz do avanço dos ruralistas contra o Código Florestal, a Lei de Crimes Ambientais e as normas do Conselho Nacional de Meio Ambiente.

É o que confirma matéria publicada hoje pelo Valor Econômico, o mais bem feito jornal de economia do país, uma joint venture dos grupos Roberto Marinho (Globo) e Victor Civita (Abril) que desbancou a antiga Gazeta Mercantil.

Sem a resistência do velho e até recentemente ético Partido dos Trabalhadores (PT), que passou a fazer corpo mole quando se trata de preservar os interesses da maioria da sociedade em defender o meio ambiente, os deputados eleitos pelos latifundiários e empresas do agronegócio deitam e rolam nas comissões.

Dominaram a comissão de meio ambiente, criaram a Frente Parlamentar da Agropecuária e conseguiram impor uma derrota aos ambientalistas ao implantar semana passada a comissão especial que busca substituir o Código Florestal por um “código ambiental“ de mentirinha, à moda do que foi feito em Santa Catarina.

Colocaram como relator um deputado que, mesmo sendo de esquerda,  joga do lado dos desenvolvimentistas: Aldo Rebelo, do PCdoB, não merece a confiança da bancada ambientalista, como dizem Ivan Valente, do PSoL, e Edson Duarte, líder do PV.

O próximo negócio dos ruralistas será obrigar o governo do PT a adiar as multas milionárias que a lei exige até o final do ano dos fazendeiros que desmataram além do permitido e não recompuseram suas reservas legais.

Vai ser um agronegócio de algo como 5 bilhões de reais em multas que deixarão de ser recolhidas ao Fundo Nacional de Meio Ambiente, como demonstra o insuspeito Valor.

Aliança do PT com ruralistas facilita desmonte da legislação ambiental brasileira

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Na contramão da história, o Brasil afunda-se na falta de compromisso com o meio ambiente e se deixa arrastar pela visão atrasada do desenvolvimentismo capitalista, recusando-se a tomar medidas contra o agravamento do aquecimento global e a procurar novos caminhos sustentáveis para sua economia.

À falta de clareza do Executivo na fixação de metas de redução das emissões de gases do efeito estufa, que ficou evidente em reunião do presidente Lula com alguns ministros na terça-feira (13), seguiu-se nesta quarta-feira (14) um acordo na Câmara dos Deputados destinado a desmontar a legislação de proteção ambiental em nome dos interesses dos grandes agropecuaristas.

Destinada a substituir o Código Florestal e a lei de crimes ambientais por uma farsa chamada de “código ambiental“, uma comissão especial elegeu nesta quarta-feira (14) o ruralista Moacir Micheletto (PMDB-SC) como presidente e o nacional-desenvolvimentista Aldo Rebelo (PCdoB-SP) como relator.

“Isto significa entregar o galinheiro para a raposa tomar conta“, disse o deputado Ivan Valente (PSoL-SP). O novo líder do Partido Verde, Edson Duarte (BA), que vinha conseguindo adiar a instalação da comissão, denunciou as manobras que unem governo e PMDB, logo quando o país mais precisa de um modelo sustentável de desenvolvimento.

A comissão, dominada pela bancada ruralista, pretende ainda este ano rever toda a legislação brasileira, retirar poderes do Conselho Nacional de Meio Ambiente, enquadrar o Ibama, permitir que cada Estado faça suas próprias normas ambientais e rever as multas aos proprietários de fazendas que deixaram de recompor as reservas legais.

Na próxima semana o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff, candidata à presidência da República pelo PT/PMDB em 2010, devem reunir-se novamente com os ministros Carlos Minc, do Meio Ambiente, e Celso Amorim, das Relações Exteriores, para tentar definir a nebulosa proposta em gestação para ser levada à reunião da ONU sobre o clima, em Copenhagen, no início de dezembro.

A meta do Ministério do Meio Ambiente de reduzir o desmatamento em 80% até 2020, a partir dos níveis de 2005, precisa ser traduzida por algum compromisso do país com a redução das emissões de gás carbono, de modo a convencer o mundo de que o país está disposto a evitar a destruição da floresta amazônica e agravar os problemas climáticos do planeta.

Conhecida por suas posições desenvolvimentistas,  a ministra quer que as projeções não prejudiquem suas intenções de permitir que a economia cresça anualmente pelo menos 5% na próxima década. Não se fala em mudar o modelo econômico, para substituir o atual desenvolvimentismo por uma economia verde.

Os grandes industriais, representados pela Confederação Nacional da Indústria,  apoiam os ruralistas na mudança das leis ambientais e já advertiram o governo para não assumir compromissos externos que possam significar restrições ao crescimento econômico tradicional.