Dirigente do PV diz que prepara palanque do DEM para Marina em 2010
segunda-feira, 12 de outubro de 2009No mesmo sábado em que a senadora Marina Silva (PV-AC) recebia um prêmio internacional na Europa, por sua defesa do meio ambiente, um dirigente do seu Partido Verde aparecia na imprensa de Brasília dizendo que ela terá na Capital Federal, em 2010, o palanque do antiecológico, ruralista e retrógrado Partido Democrata (DEM), expressão máxima da direita que luta diariamente no Congresso para desmontar a legislação ambiental brasileira.
Com suas origens populares e sua postura de esquerda, sempre em defesa dos oprimidos, dos que nada têm além de seus braços para trabalhar, a senadora Marina Silva jamais se aliaria aos direitistas donos do capital e dos demais meios de produção, que exploram a força de trabalho dos assalariados, destroem os recursos naturais da humanidade e poluem o planeta em nome do lucro apropriado por suas empresas. Jamais ela se aliaria aos capitalistas selvagens, aos donos dos bancos, aos latifundiários, aos ideólogos da extrema direita e aos representantes da bancada ruralista que investe vergonhosamente contra o Código Florestal, a Lei de Crimes Ambientais, as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente e tudo que ainda faz do Brasil uma promessa de potência ambiental.
Em nenhuma hipótese a ex-ministra Marina Silva, que comandou a pasta do Meio Ambiente, jogaria fora sua história de mais de duas décadas no Partido dos Trabalhadores, nas lutas que aprendeu na vida dura dos seringais do Acre, nos empates de Chico Mendes contra os grileiros e na batalha contra os madeireiros que vêm acabando com a Amazônia em nome do lucro criminoso que pavimenta a estrada da miséria urbana. .
Aconteça o que acontecer, ela nunca ficaria do lado da bancada ruralista capitaneada pelo DEM, que se estribucha no Congresso para fugir das multas devidas pelos grandes fazendeiros que destruíram suas reservas legais, ameaçando colocar o país na contramão da história quando chegar dezembro e o Brasil tiver que apresentar suas metas de redução das emissões de carbono que provocam o aquecimento global. Enfim, a companheira Marina, que sempre ficou do lado do povo pobre e da aplicação rigorosa da lei de crimes ambientais, jamais subiria em palanques dos direitistas do DEM, sigla adotada pelo antigo Partido da Frente Liberal (PFL) para confundir os eleitores. Qualquer brasileiro médio sabe que este é o partido que reúne o que há de mais retrógrado em matéria de idéias políticas, o que há de mais forte em defesa de interesses dos grandes fazendeiros antiecológicos, dos grandes banqueiros e das multinacionais apátridas que no passado sustentaram a ditadura militar.
Pois bem, como a senadora Marina defende a ética, a justiça social e o meio ambiente, não aceitará em hipótese alguma o apoio dos coronéis, latifundiários, ruralistas, madeireiros e demais direitistas agrupados em torno do DEM e de seus aliados nanicos, os partidinhos de aluguel da mesma cepa ideológica.
Então, como explicar as declarações publicadas no Correio Braziliense deste sábado (10/10/09) pelo presidente do Partido Verde no Distrito Federal, o empreiteiro Eduardo Brandão, de que o partido está preparando em Brasilia o palanque do DEM para receber a futura candidata Marina Silva? Em nome de quem ele está falando?
Conhecido até nos autos dos processos do TSE como braço direito do hoje vereador José Penna (SP), presidente quase perpétuo do PV nacional (há dez anos), Brandão tem suas razões pessoais - e empresariais - para defender o DEM: foi ele que implodiu o que ainda havia de ético no PV-DF ao levar seu diminuto diretório distrital (provisório) a se aboletar em carguinhos de baixo escalão no Governo do Distrito Federal, comandado pelo único governador que o PLF, aliás DEM, conseguiu eleger no país, há três anos, o ex-senador José Arruda, aquele que renunciou para não ser cassado no escândalo do painel do Senado, anos atrás.
Quem tem história e imagem pública a defender, se afastou há cerca de dois anos das reuniões esporádicas, fechadas e antidemocráticas do grupinho direitista de Penna/Brandão na capital federal. Até o antigo vice-presidente do PV-DF e ex-candidato a vice-governador na aliança com o PT nas eleições de 2006, Gastão Ramos, não resistiu - e acabou passando para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), para manter a coerência.
O mínimo que Brandão deveria ter feito, além de esclarecer as dúvidas que ainda pairam sobre as contas nacionais do partido no TSE de 2006 em diante, seria deixar o governo do DEM quando a senadora Marina, de esquerda, filiou-se ao partido, sob a promessa da velha oligarquia dirigente de que haveria uma refundação do PV, tanto a nível nacional quanto nas unidades da Federação.
Falou-se em formar uma nova executiva, com metade dos antigos pennistas e outro tanto dos novos militantes pró-Marina, de modo a se preparar um congresso nacional no primeiro trimestre de 2010 - seria o terceiro congresso em mais de vinte de anos, para se ter uma idéia de como as coisas funcionaram este tempo todo entre os ditos verdes brasileiros.
Mas nem mesmo esta promessa, feita de público, está sendo levado a sério pelos antigos donos do PV - continuam dando as cartas de forma autoritária e unilateral, sem ao menos consultar o conselho político da senadora Marina Silva. Impediram em alguns estados a filiação de quadros valiosos até o último prazo, com receio de serem derrotados em futuras convenções, e desdenham internamente dos novos companheiros ambientalistas, em geral oriundos do PT, que passaram para o PV na onda de esperança criada pela entrada da senadora acreana.
Agora, com as declarações dadas ao Correio Braziliense no final de semana, as coisas ficam claras como a luz do sol que entra nas clareiras deixadas pelos madeireiros ilegais na Amazônia - de que lado estamos, afinal? Certamente nós, que lutamos contra a ditadura, não estamos nem nunca estaremos com o DEM dos ruralistas - e nem a senadora Marina, com certeza, vai aceitar estas ofertas indecorosas de palanques da direita.