Feitiço da ex-seringueira Marina Silva volta-se contra camarilha que comanda o PV há dez anos
sábado, 8 de agosto de 2009O balão de ensaio solto pela camarilha dirigente do Partido Verde, de convidar a senadora Marina Silva (PT-AC) para sair candidata à Presidência da República em 2010, saiu do controle de seus idealizadores.
Como a crise do Senado detonou a imagem do Partido dos Trabalhadores em sua aliança com o PMDB, abriu-se um espaço para a terceira via que ninguém esperava, abalando tanto a pré-candidatura de José Serra (PSDB) em aliança com o Democratas, como a da ministra Dilma Rousseff (PT).
Se crescer, a terceira via terá como principal consequência implodir a executiva nacional do PV, presidida pelo vereador José Penna, de São Paulo, SP, que comanda o partido há dez anos com os métodos da velha política, baseados na cooptação de delegados e manutenção de eternas executivas provisórias nos Estados e Municípios.
A mídia voltará seus holofotes para o PV, encontrando nos autos dos processos que correm no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) extensa lista de escândalos, desmandos e rejeição de contas por conta de notas e recibos frios, uso de verbas do fundo partidário e uma série de práticas que explicam como o partido vem se prestando às mais esdrúxulas alianças com oligarquias e governos de direita.
Marina Silva só aceitará ir para o PV se assumir a presidência do partido no lugar de Penna, levando consigo um considerável grupo de experientes militantes do antigo PT, para promover uma faxina interna que abriria o partido, instituiria processos democráticos de eleição de diretórios e escolhas de candidatos em convenções.
São coisas que nunca aconteceram nos verdes brasileiros – enquanto o PT crescia nestes trinta anos, o PV permaneceu como partido de aluguel durante os primeiros tempos e depois se transformou num amontoado ideologicamente amorfo de aproveitadores da ideologia ambientalista, que viam na sigla uma forma de conseguir se eleger fora do circulo dos grandes partidos.
Agora, com ou sem Marina Silva, será difícil para o PV manter a atual executiva – que comanda há dez anos o partido. No congresso marcado para o último trimestre as cartas já estavam marcadas – continuaria a turma antiga, que alijou a militância idealista e honesta, expulsou dissidentes e se afastou de todo princípio ético que teve origem lá atrás, nos anos 60 e 70.
O balão de ensaio pegou fogo e caiu em cima da cabeça dos feiticeiros da camarilha, que é como merece ser chamada a executiva nacional.
Nos próximos dias, com a volta de Marina do Acre para Brasília, estas coisas começarão a se esclarecer.
Foi preciso vir da floresta uma ex-seringueira, nascida e criada no PT, para que os verdes começassem finalmente a ver a luz no fim do túnel – seja qual for o buraco de saída, a ala ética dos verdes terá que estar à altura do novo papel, sob a liderança do do ministro da Cultura, Juca Ferreira.