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Entrevista de Carlos Minc à Veja dá uma melhorada na imagem de Dilma junto aos ambientalistas
sábado, 6 de dezembro de 2008A pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff à presidência da República vem ganhando espaço entre a intelectualidade de esquerda já há algum tempo.
Agora, também os ambientalistas começam a prestar atenção no que a ex-companheira da VAR Palmares diz e faz quando o tema é a difícil convivência entre defesa do meio ambiente e desenvolvimento econômico.
A imagem da ministra da Casa Civil acaba de melhorar alguns pontinhos junto aos ambientalistas com a entrevista à revista Veja deste fim de semana dada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
O ex-guerrilheiro (também da VAR Palmares) e ex-deputado estadual no Rio pelo Partido Verde dá a entender que, no ministério de Lula, ele está aos poucos mostrando à antiga companheira de resistência contra a ditadura que agora é preciso adotar alguma visão ambientalista para ir adiante na luta política.
Mesmo porque não há outra saida. Se não respeitar o meio ambiente, ela acaba perdendo na mídia todo o prestígio que o presidente Lula vem angariando, com 70% de aprovação anunciado pelo DataFolha neste sábado, 6/12.
Além de entrar na contramão da história, correndo o risco de dar força ao sonho imperialista europeu de Sarkozy, de ampliar a Guiana Francesa para tomar conta da Amazônia brasileira em nome do combate ao aquecimento global.
Enfim, mais importante do que ter sido guerrilheiro, maconheiro e verde, Minc está sendo um ministro do Meio Ambiente muito melhor do que a irmãzinha Marina Silva, do velho PT cristão, que não se conforma em só conseguir governar com o apoio do corrupto PMDB.
PS - Para completar, é bom prestar atenção também no papel que será jogado nas próximas semanas e meses por outro ex-militante da resistëncia à ditadura que integra o Governo Lula: o ministro da Cultura, Juca Ferreira, do PV de esquerda, líder da Dissidência Ética dos verdes que se opõe à executiva nacional sub judice no TSE.
Para enfrentar o aquecimento teremos que derrubar o “ordem e progresso” da bandeira positivista
domingo, 1 de junho de 2008A crise do aquecimento global chega atrasada aos aparelhos ideologicos dos estados economicamente perifericos dos Estados Unidos, mas chega: aqui, por exemplo, só agora está caindo a ficha de que o Brasil vai ter sim que adotar metas de redução das emissões, isto é, vai ter sim que controlar as queimadas, principalmente da Amazônia.
Isso é igual ao antigo Fundo Monetário Internacional, o FMI que combati desde menino. Mais velho vi que estávamos de novo no buraco e não tinha outro jeito senão o país voltar a negociar com eles, em 1998, e aceitar um crédito stand-by (já acabou, Lula seguiu a risca a cartilha de Pedro Malan e nada deve a não ser obrigação).
Agora há um virtual “FMI Ambiental”, digamos, agindo em rede, permeado organismos internacionais, corporações, ongs, a midia, a opinião pública que agora manda nos mercados da União Européia, do Japão, em boa parte dos incultos americanos e seus vassalos culturais mais próximos, que somos nosotros,manda nos politicos em cata de votos, faz a cabeça dos consumidores…
Um FMI Ambientak que existe que nos comportemos civilizadamente com a crise climática mundial.
Há anos Lula vem enrolando o mundo na questão ambiental com a imagem de freirinha da Amazônia, nossa querida senadora Marina Silva (PT-AC), da mesma forma que enrola do mundo com nosso cantor-intelectual Gilberto Gil, do PG, digo, do PV.
Há anos que enganamos o mundo fingindo que criamos - e criamos mesmo, só que apenas no papel - unidades e mais unidades de conservação. Foi no governmo FHC, quando Zequinha (por enquanto no PV) era ministro apoiado pelas ongs ambientalistas…
Veja-se que a metade do DF é protegida, quase a metade da Amazônia também…
Mas no papel não significa muito, na prática todas as resrervas estão sem recursos para pagar indenização aos antigos ocupantes que la permanecem com seu gado e predadores de toda sorte, falta cerca, falta guarda, falta carro, satélite, dinheiro, estrutura contra o fogo e os invasores de sempre….
Assim, abandonadas, são um convite aos grileiros sempre a postos.
Há mais de ano veio a confirmação do painel de cientistas da ONU de que a vida na terra está sob amaeça por causa dos 200 anos de emissões de gases que formam o efeito estufa, responsável pelo aquecimento medio da temperatura do planeta entre 1,5 e 3 graus em nosso tempo de vida, na melhor das hipóteses,
O Brasil é o quarto maior emissor destes gases por causa das queimadas, principalmente das queimadas na Amazônia, mais ainda que no cerrado, e cada vez mais periferia da floresta, no chamado arco do desmatamento que virou arco do fogo - a terra que governadores antiecológicos e seus amigos da onça querem tirar fora da Resolução do CMN que impede crédito a criminosos ambientais.
Estes caras são fortes, são os donos dos meios de produção antigos, têm as terras, são os 3% que detêm 90 das terras agricultáveis no Brasil - e vivem nas tetas do Banco do Brasil com o crédito rural de todo ano, e os frequentes e sazonais canos que dão nos bancos e fica a conta pra gente pagar, com dinheiro do Tesouro que saiu do meu contracheque aqui em Brasilia.
São a bancada ruralista, bem fincada no Senado da República para impedir avanços socioambientais bruscos.
É por isso que verdadeiros verdes - ambientalistas, quem não o é mais, após as descobertas da ciência recente? - do mundo todo estão fazendo pressão para que ou o governo brasileiro tome conta da Amazônia.
Ou - ameacem as criancinhas nas comunidades da Nova Era - descerão do céu os Boinas Verdes da ONU, para ocuparem a Amazônia ao final de um longo e demorado processo de negociação com Brasilia, onde parte da população certamente apoiará a troca de comando.
As contradições socioambientais se agravam dia-a-dia - afinal, este é o capitalismo com sua lógica de bicicleta, de que cai quem parar de pedalar contra os ventos da concorrência permanente. E no capitalismo atrasado ciclovia só chega depois que milhões já pereceram…
Aqui não tem mais jeito.
Mais do que o acesso a riquezas minerais na Amazônia - logo vão pegar isso de Marte, já desceu outro robô-geólogo lá semana passada -, querem a riqueza da biodiversidade, querem dominar o DNA de tudo quanto la existe.
Querem a água.
De imediato o mundo gostaria apenas de parar com as queimadas para fazer com que a atmosfera do planeta deixe de receber da destruição da Amazônia as emissões dos gases de efeito-estufa, que ajudam a manter o aquecimento global.
Viram que é mais fácil e barato, para suas empresas, pressionar o Brasil a parar as queimadas - o que ja é uma burrice ecológica em si - e assim darmos inicio à estabilização das quantidades emitidas anualmente na atmosfera.
As queimadas respodem por algo como 4% do total, mas parece ser onde é mais fácil mexer as tarrachas. Descobrindo isso, o governo Lula vem tentando ha anos arrancar uma contrapartida financeira dos países ricos - é a lógica da esperteza, onde fazendeiros do9 Mato Grosso querem que o governo lhes pague para eles não destruirem o meio ambiente.
Por que Lula fica fazendo que não vê e vai na onda dos incompetentes do PT que lhe sopraram a possibilidade de se arrancar algum do sistema financeiro internacional por conta de adotar metas contra a destruição, digo, a queimada da Amazônia?
É a lógica rasteira, de pobre de espirito, de quem não tem espirito de estadista, de quem logo pensa - como posso tirar proveito da situação de desgraça que se criou com o aquecimento global?
Com estas coisas não se negocia, veja o exemplo de estadistas em volta. Será que não entendem que da desgraça fazem parte todos nós, responsáveis foram todas as gerações que viveram até agora em toda parte do mundo - umas mais, outras menos?
Todos se beneficiaram da queima de carvão vegetal para fazer fogueira por milênios, da destruição das matas desde o antigo norte da África pre-bíblica, depois do carvão mineral para aquecimento na Idade Media e para mover os motores inventados pelos alemães, aplicados nas industrias inglesas, francesas… nas ferrovias no novo mundo e nos navios e foguetes de guerra dos futuro império americano.
Todos por acá se beneficiam do petroleo extraido as custas do acirramento da violência no Oriente Médio e do massacre do que restou da atrasada cultura árabe religiosa imposta por suas classes dominantes.
Aqui no Brasil, como somos “apenas” o quarto emissor, muito atrás do campeão Estados Unidos, que responde por 25% das emissões, não podemos por isso cruzar os braços e esperar chegar os Boinas Verdes - pois aqui vivemos sempre às custas, primeiro, da queima de toda a mata atlântica, depois do cerrado e agora de parte da Amazônia, para irmos fazendo a tal “ordem e progresso” da bandeira.
Depois começamos a queimar de bom grado o petróleo, que não era nosso mas hoje achamos as mariores reservas quando - veja como Deus é brasileiro! - já nem precisamos tanto porque somos tão incriveis que inventamos la atrás, em plena ditadura, o ProÁlcool…
- Ahh, os motores a álcool que viraram a coqueluche do momento no mundo todo… The Ethanol Revolution…
Estamos orgulhosos da inflação do etanol la fora e dos riscos ao meio ambiente aqui dentro com o crescimento do PIB verde falso.
E ficamos apenas intrigados quando vemos o quanto estamos atrasados ainda em energia eolica, ou em materia de carros movidos a eletricidade ou a celula de hidrogênio…
Os finlandesas que lutam contra seus vulcões já aproveitam o hidrogênio para fazer voar os carrinhos do futuro, que nada explem na atmosfera além de vapor dágua… o mesmo que tanto precisamos aqui na secura do Planalto Central.
E os boinas, eim?
A semana que passou foi de medo, Lula respondeu, tropas se mexeram lá pras unidades de fronteira, virão programas de televisão… a Amazônia é nossa mesmo pelada?
O Mangabeira (parte ecologica nativa, emotiva) e o Unger (parte anglófila, bem formada, racional) estão discutindo ainda o que fazer no medio prazo (no longo todos estaremos mortos, ensinou John Maynard Keynes).
Ja estão chegando, estão entre nós, estão na mídia, aqui na minha casa, na sua, nas ruas, em todos os lugares…
Uma parte dos brasileiros apoia os boinas verdes virtuais, sabia?
Acham melhor do que deixar a sanha capitalista atrasada acabar com o satuário verde da floresta.
Marina sabe disso tudo e não aceitou peitar os indios do Xingu, que tem razão com apoio dos padres progressistas e da companheirada da Via Campesina, do Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens - sim, de todos que são a favor de se mudar a lógica por trás do desenvolvimento nacional.
Ninguém quer mais o bordão positivista da bandeira brasileira, a classe dminante e seus lacaios na intelectualidade não entenderam isso até agora, muito menos a classe media usada nas patriotadas sul-ameriucanas como as Falklands/Malvinas…
Está faltando uma emenda à Constituição mudando o dístico positivista para algo mais apropriado ao Seculo XXI - como “desenvolvimento sustentável”, ou “ordem natural“ no lugar do horrivelmente militarista, politicamente incorrestíssimo “ordem e progresso”?
Quem ordem, a do Duque de Caxias que reprimia as movimentos populares?
Que progresso? A da Belem-Nrasilia que destruiu a floresta e o cerrado da Mesopotâmia entre Araguaia e Tocantins? Da Trans-Amazônica de quando voltei do exilio por terra e vi o que tinham feito na hiléia dos naturalistas de nossa infância literária?
Este progresso capitalista capenga que tanto destruiu nossos recursos naturais, do pau-brasil que abacou em Cabrália nos primeiros 50 anos, ao solo do Nordeste arruinado pelo sangue escravo e exaustão da cana-de-açucar sendo queimada todo ano, do cerrado derrubado e enxugado de suas águas até às areas inundadas pelas mega-usinas, do panatanal contaminado por agrotoxicos ás bordas da floresta amazônica sendo queimadas por cupins-grileiros para dar lugar a soja e pasto para o gado?
Este é o progresso que queremos? Esta é a ordem?
A ordem dos latifundiários, de suas milicias, jagunços, da estrutura de feudalismo e vassalagem que vem atras deste dominio ilegal da terra da União no Pará, no Amazonas, em Rondonia, no Acre, em Roraima com os tais arrozeiros levados do Sul? A ordem burguesa, capiutalistalista, positivista, levou à desordem ambiental no Brasil e agira corremos o risco de pderder controle sobre a Amazônia por culpa dos que agem em nome do livre negócio, da liberdade capitalista de destruir o ambiente?
Em 1968 pensamos em trocar na bandeira o miolo todo pela foice e o martelo. O tempo passou, os Beatles e Tim Leary nos mostraram que seria melhor talvez o colorido do arco-íris, da ecologia…
Mas agora voltou o tempo da guerra por outros meios, que são os meios politicos - não é a política a guerra por outros meios, companheirada?
Voltaram os tempos dificeis, acabaram-se as noites de paz.
Aliás, para a companheira Ingrid Betancourt as noites tem sido horriveis na selva, na natureza que ela tanto amou, nãos mãos bárbaras da guerrilha que ja foi de esquerda, ja foi marxista-leninista mas no contato com o sobrelucro da proibição que gerou o narcotráfico tambem a guerrilha que era socialista perdeu o sentido da vida no combate com a história, perdeu o senso dos direitos humanos e do consenso da ONU sob os quais vivemos agora.
Perderam o rumo da história e infelizmente terão agora que ser vencidos militarmente, como estão sendo - será que haverá alguem de bom senso para aceitar um pacto politico de modo a incorporar a parcela que herdou o espirito de Reys e Tirofijo a vida politica da Comlômbia?
E aqui, será que Carlos Minc - o companheiro da VAR Palmares, como Dilma, como nós, como tantos por ai dos mais jovens que deram a vida para ajudar a libertar o país das botas dos ditadores militares - vai fazer o papel de Kerenski, de comandar o barco ambientalista prestes a afundar no Brasil antes de termos a grande crise das queimadas com sobrevôo de satélites euro-americanos?
Acorda, Lula… Minc é dos bons mas não vai fazer este papel não. É melhor entender que, neste caso, o inimigo é o capitalismo mesmo… não dá pra preservar a Amazônia dentro da logica do desenvolvimento econômico que está na cabeça dos brasileiros…
Nem dá para insistir na falacia do desenvolvimento sustentável - isso é coisa só nossa, dos economistas, quando falamos em não ter altos e baixos na serie historica do PIB e da inflação…
O outro, de que falam as elites, companheiro Lula, é mentira: não dá pra salvar a Amazônia e dar nossa contribuição para começar a reverter o aquecimento global dentro da lógica do desenvolvimento capitalista, ou do estatismo capitalista que rege a China outrora utopista…
É o fim, Lula, Minc, Marina…
Vamos ter que operar uma nova frente de vanguarda para avançar e obter para a Amazônia toda, não só a brasileira, um status especial de… Zona Ecológica Livre do Capitalismo.
Assim como Fernando Gabeira ja falou em estabelecer um experimento de Zona Liberada no Rio, vamos levar a idéia adiante para o bioma amazônia - livrando a floresta da busca desenfreada por lucro, a gente dá conta de segurar, por nós mesmos, este desafio da nacionalidade que é preservar a soberania sobre a Amazônia.
Com a floresta de pé, porque com a selva transformada em cerrado/savana, não vale - os Boinas Verdes chegam antes e abrem fogo, digo, abrem as modernas supertorneiras com água para apagar as queimadas…