Posts com a Tag ‘penna’

Veja e IstoÉ começam a revelar a banda podre do PV

sábado, 22 de agosto de 2009
DEU NA ISTOÉ: 
 
O trator Marina
A senadora chega ao PV e descobre vários problemas na legenda

Alan Rodrigues e Hugo Marques

FRAUDE VERDE Marina e o embargo das contas do PV pelo TSE na última semana

A senadora Marina Silva (AC) nem mesmo assinou a ficha de filiação ao Partido Verde - a festa está programada para o dia 30 - e já descobriu que tem mais coisas erradas na legenda do que divergências ideológicas ou problemas na direção partidária. O fato mais grave descoberto por Marina, dias depois de rasgar seu registro no PT, é a situação financeira do PV.

O partido corre o risco de perder, nos próximos dias, o direito à sua principal fonte de receita: o Fundo Partidário. Irregularidades nas prestações de contas dos últimos cinco anos poderão levar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cortar os R$ 7 milhões a que os verdes têm direito do repasse de dinheiro público. “Se isso acontecer será kafkiano”, responde o presidente dos verdes, José Luiz Penna. Mas a situação não é tão absurda quanto os romances de Franz Kafka.

Os problemas são: falsificar notas fiscais, fraudar prestações de despesas e supostos desvios de recursos do partido para as contas pessoais de alguns de seus dirigentes. Na Justiça Eleitoral, as contas de 1998 foram reprovadas, as de 1999 e 2002 foram aprovadas com ressalvas e as de 2004 a 2007 estão sob suspeita. “Acho que o PV é mais problemático que a Marina, porque pagou um tributo às regras da política do Brasil e perdeu muito da sua qualidade inicial”, diz o ministro da Cultura, Juca Ferreira, filiado ao PV.

Penna reconhece que aconteceram erros e os atribui a um grupo interno do partido. “É uma luta política que estamos enfrentando”, diz. Marina sabe que não é só guerra política. É fraude. Entre os sete volumes do processo, os auditores identificaram varias notas fiscais frias, algumas emitidas até por empresas fantasmas. “A prestação de conta partidária é uma loucura.

O PV era muito relapso na contabilidade, estamos corrigindo”, admite o vereador carioca Alfredo Sirkis. Foi constatado, por exemplo, que para as despesas com aluguéis de imóveis em 2005 o PV apresentou contrato de locação com data de 2008. “Aconteceram algumas besteiras. Teremos que pagar o preço da inexperiência”, avalia Penna. Besteiras ou não, o certo é que Marina poderá constatar se é ou não possível manter a utopia política diante da realidade partidária. Ante essa realidade, as questões ideológicas ficaram menores.

Mesmo assim, a senadora, por meio de assessores ainda filiados ao PT, colocou na mesa as condições para sua entrada na legenda. Como um trator, Marina podou várias bandeiras do PV. A senadora é evangélica e deixou claro que não defenderá temas como o aborto, o uso de células-tronco para pesquisas e outros temas como a descriminalização da maconha. Marina quer que esses pontos, a partir de agora, sejam tratados como “cláusula de consciência”.

Um eufemismo para dizer que ela irá posicionar-se politicamente como pensa e não por definição partidária. “Esse acordo resolve um problema de relacionamento”, diz Sirkis. Marina quer mais do PV. Ela vai indicar dez pessoas para a direção nacional em um congresso que acontecerá em novembro. Esses “novos verdes” é que irão elaborar o programa para o PV. O primeiro ponto será um projeto de um Brasil sustentável para 20 anos.

O outro será definir a política para um governo de quatro anos. Na prática essa é a “refundação e ressignificação do Partido Verde”, de que Marina tanto fala. “Estamos nos preparando para ser uma alternativa de poder”, diz Penna. No “pacote Marina” inclui-se ainda o controle do partido, a saída do deputado José Sarney Filho (MA) da liderança na Câmara e o rompimento de alianças consideradas espúrias em alguns Estados. “Se o incômodo for cargos, tirem-se eles”, diz Penna.

Feitiço da ex-seringueira Marina Silva volta-se contra camarilha que comanda o PV há dez anos

sábado, 8 de agosto de 2009

O balão de ensaio solto pela camarilha dirigente do Partido Verde, de convidar a senadora Marina Silva (PT-AC) para sair candidata à Presidência da República em 2010, saiu do controle de seus idealizadores.

Como a crise do Senado detonou a imagem do Partido dos Trabalhadores em sua aliança com o PMDB, abriu-se um espaço para a terceira via que ninguém esperava, abalando tanto a pré-candidatura de José Serra (PSDB) em aliança com o Democratas, como a da ministra Dilma Rousseff (PT).

Se crescer, a terceira via terá como principal consequência implodir a executiva nacional do PV, presidida pelo vereador José Penna, de São Paulo, SP, que comanda o partido há dez anos com os métodos da velha política, baseados na cooptação de delegados e manutenção de eternas executivas provisórias nos Estados e Municípios.

A mídia voltará seus holofotes para o PV, encontrando nos autos dos processos que correm no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) extensa lista de escândalos, desmandos e rejeição de contas por conta de notas e recibos frios, uso de verbas do fundo partidário e uma série de práticas que explicam como o partido vem se prestando às mais esdrúxulas alianças com oligarquias e governos de direita.

Marina Silva só aceitará ir para o PV se assumir a presidência do partido no lugar de Penna, levando consigo um considerável grupo de experientes militantes do antigo PT, para promover uma faxina interna que abriria o partido, instituiria processos democráticos de eleição de diretórios e escolhas de candidatos em convenções.

São coisas que nunca aconteceram nos verdes brasileiros – enquanto o PT crescia nestes trinta anos, o PV permaneceu como partido de aluguel durante os primeiros tempos e depois se transformou num amontoado ideologicamente amorfo de aproveitadores da ideologia ambientalista, que viam na sigla uma forma de conseguir se eleger fora do circulo dos grandes partidos.

Agora, com ou sem Marina Silva, será difícil para o PV manter a atual executiva – que comanda há dez anos o partido. No congresso marcado para o último trimestre as cartas já estavam marcadas – continuaria a turma antiga, que alijou a militância idealista e honesta, expulsou dissidentes e se afastou de todo princípio ético que teve origem lá atrás, nos anos 60 e 70.

O balão de ensaio pegou fogo e caiu em cima da cabeça dos feiticeiros da camarilha, que é como merece ser chamada a executiva nacional.

Nos próximos dias, com a volta de Marina do Acre para Brasília, estas coisas começarão a se esclarecer.

Foi preciso vir da floresta uma ex-seringueira, nascida e criada no PT, para que os verdes começassem finalmente a ver a luz no fim do túnel – seja qual for o buraco de saída, a ala ética dos verdes terá que estar à altura do novo papel, sob a liderança do do ministro da Cultura, Juca Ferreira.

Eleições de 2010 e crise interna dividem os verdes

terça-feira, 14 de julho de 2009

Dividido, o Partido Verde adiou para novembro a promessa de realizar um congresso, onde se espera que se decida de que lado vão ficar - com José Serra/Aécio, como estão hoje em São Paulo, ou com o PT de Dilma Roussef que a bacada liderada por Sarney Filho apoia na Câmara dos Deputados?

Esta perspectiva acirrou o racha que existe há anos, desde que se perpetuou no poder o grupo de José Penna - agora vereador em SP - e se estabeleceram dois focos de poder: a bancada, que antes não existia, e os dirigentes da máquina partidária.

A militância verde de verdade afastou-se do partido e multiplicaram-se as dissidências com a divulgação de atos suspeitos de corrupção.

O ponto principal que une todos os movimentos dissidentes que hoje existem no Partido Verde é a oposição ao grupo que controla a máquina há uma década e que precisa ser derrubado.

É um grupo que pegou a fase de interesse público pelo meio ambiente e conseguiu até ultrapassar os entraves legais, criando as bases para chegar a uma bancada federal média (embora quase toda sem ideologia verde) que permitiu multiplicar os milhões de reais do fundo partidário.

Além de operar a sigla como donos há dez anos, o grupo da atual executiva tirou-o dos ideais ambientalistas originais para transformá-lo num partidinho como outro qualquer, com negociatas de alianças e alguns poucos carguinhos.

A questão é a dificuldade para reunir votos internos suficientes para tirar esta executiva de cena e arejar o partido, pois montaram uma máquina com sistema de retroalimentação. A novidade é que vêm aos poucos tendo que compartilhar decisões com alguns dos deputados federais, estaduais, prefeitos e vereadores.

Mas ainda são os membros da executiva que indicam os delegados aos congressos, administram o fundo partidário e escolhem candidatos nas eleições, sem dar bola para as questões como programa e estatuto. Fazem as alianças mais convenientes, em cada lugar - o que levou à crise atual.

Enquanto não ganham votos, se abrigam em empreguinhos públicos dos governos locais (ao que se sabe apenas de direita).

Perante a lei o partido é provisório, em quase todas as unidades da federação - os presidentes e demais membros são indicados e reindicados a cada tantos meses pelas mesmas pessoas - vereador José Penna (SP) à frente, como presidente. Aliado de Gilberto Kassab (DEM) e José Serra (PSDB), já dava como certo que ficaria com a oposição ao Governo Lula. Seu braço direito, o ex-secretário das finanças do PV e presidente eterno do PV-DF, Eduardo Brandão, ocupa um cargo de subsecretário no governo do DEM, em Brasília.

É um um grupo que se cristalizou com esta atitude dita pragmática - realmente em oposição ao certo, que seria a posição programática - e não implantou o partido com militância organizada, dirigentes eleitos democraticamente pelos filiados etc. Essa coisa não existe no PV, um partido legalmente provisório há duas décadas.

Internamente os dirigentes expulsam, cassam, caçam. Sem qualquer espírito republicano - ou qualquer princípio, nem mesmo o idealismo que costumava substituir nos PVs de outros países as propostas tradicionais para tomada e exercicio do poder.

Além disso, para complicar, há contra a executiva os processos que se avolumam no TSE, com prestações de contas do fundo partidário não aceitas pela justiça - uma bomba a explodir a qualquer hora.

Os deputados federais nada ou pouco têm a ver com isso - cada um que se cuide para não ser tragado. Quando se elegeram, encontraram o partido já sob domínio da mesma burocracia. O importante é ver nos registros de cada um como têm votado - acho que em geral de forma coerente com o programa. Como base do governo, mas no plenário com independência quando se tratam de questões ambientais. Poucos se destacam.

O líder Sarney Filho criou e preside a Frente Parlamentar Ambientalista, consegue reunir duzentos parlamentares em questões gerais. Tem se oposto claramente à ideologia ruralista e alertado o governo em seus desvios desenvolvimentistas. Apoiam o ministro Carlos Minc, ex-PV, hoje no PT. Individualmente, os mais trabalhadores se destacam em comissões, operam bem para um grupo pequeno. Fernando Gabeira é caso à parte, ele construiu sua história com base em escolhas que se lhe iam abrindo - mais provável que saia candidato ao senado (e não ao governo do Rio) e puxe votos para outros, numa coligação com o PSDB e PPS, por exemplo.

Agora, na esteira do balão da candidatura própria tendo à frente alguém como a senadora Marina Silva (PT-AC), que obviamente não colou, saíram com a proposta de um primeiro congresso programático para novembro - claramente uma forma de adiar a decisão entre Oposição ou Situação.

Como não há sinais de que não prevalecerão no encaminhamento do congreso os métodos autoriários e antidemocráticos, o mais provável é que o PV se divida em dois: um que se aliou à candidatura Serra ou Aécio e outro que já decidiu votar em Dilma.